O que a saída de Shinzo Abe significa para o Japão

O primeiro-ministro anunciou sua renúncia sem apontar um novo sucessor e em meio à baixa popularidade de seu governo devido ao coronavírus

Sem designar um sucessor e citando problemas de saúde, io primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, de 65 anos, anunciou nesta sexta-feira, 29, que renunciará ao cargo em breve. A decisão encerra mais de oito anos ininterruptos de governo do premiê e coloca em risco a estabilidade política do país, apesar da oposição fragmentada.

 

Abe é o primeiro japonês nascido após a II Guerra Mundial a ocupar o cargo de premiê. Passou rapidamente pelo poder entre 2006 e 2007, porém renunciou em um momento de crise, alegando problemas de saúde. Ele foi eleito novamente ao cargo em 2012 e, em 2020, se consolidou como o líder a ocupar por  mais tempo a chefia do país.

Imagem: Reprodução / Veja – Franck ROBICHON/AFP

A sua volta ao governo pôs fim à instabilidade que reinou no Japão nos anos após sua primeira renúncia. Durante esse hiato de cinco anos, o país conheceu cinco primeiro-ministros, sendo que três deles eram da centro-esquerda, que nunca se recuperou da crise política e hoje se encontra fragmentada e sem força ou envergadura suficiente para apresentar um candidato que faça frente ao campo conservador.

 

Mais uma vez, a saída de Abe abre um vácuo de poder no Japão, pois ainda não se sabe quem será o seu sucessor e se ele poderá manter a estabilidade no país. Segundo a agência de notícias do governo NHK, o Partido Liberal Democrata (PLD) deverá se reunir nos próximos dias ou semanas para eleger um novo líder. Entre os cotados estão o vice-primeiro-ministro, Taro Aso, e o ex-primeiro-ministro Yoshihide Suga.

 

“Não há nenhum sucessor que seja popular ou tenha força política para manter uma estabilidade clara”, avalia Alexandre Uehara, especialista em política asiática e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Negócios Internacionais da ESPM. A pandemia de coronavírus também não facilita a situação política e econômica no país.

 

Abe se tornou conhecido no exterior pela estratégia de recuperação econômica conhecida como “Abenomics”, na qual mesclava flexibilização monetária, grande reativação do orçamento e reformas estruturais. Porém, sem essas reformas, o programa registrou apenas êxitos parciais, agora ofuscados pela crise econômica provocada pelo coronavírus.

Fonte: Veja

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