Japão sob pressão para decretar emergência contra o coronavírus

Número de novos casos em um único dia bate recorde no Japão, mas país ainda tem menos da metade de mortes por covid-19 registradas na cidade de São Paulo

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, vem enfrentando crescente pressão dos governadores das províncias para que declare estado de emergência no país. A medida ampliaria o poder do Estado na luta contra a pandemia do novo coronavírus – permitiria, por exemplo, impor restrições mais rígidas à circulação de pessoas e desapropriar terrenos privados para a construção de centros médicos de emergência.

Ontem, o Japão registrou o maior número de novos casos de covid-19 em um único dia (277 pessoas). Desse total, 97 são moradores de Tóquio – também um número recorde desde o início da pandemia.

Apesar das pressões da opinião pública, Abe declarou ontem no Parlamento que ainda não é momento para decretar a medida de emergência. “Por enquanto, não vimos as infecções se espalharem amplamente por todo o país. Elas estão sob controle”, afirmou.

A governadora da região metropolitana de Tóquio, Yuriko Koike, vem pedindo insistentemente aos moradores que evitem sair de casa sem necessidade e deixem de frequentar lugares como restaurantes, bares e clubes noturnos, que continuam funcionando. Koike determinou o fechamento de escolas e de espaços públicos, como museus e zoológicos, até 6 de maio. Muitas empresas adotaram o trabalho remoto e o movimento nas ruas da metrópole é menos intenso.